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terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Pira Olímpica

Agora que a euforia da Olimpíada de Londres se foi, o negócio é pensar no que ficou de herança. E de compromisso para o Brasil. Acompanhem esse interessante artigo do Fernando Trevisan, que é pesquisador e consultor da Trevisan Gestão do Esporte.

Em 2005, quando a cidade de Londres venceu a disputa para sediar a Olimpíada de 2012, os europeus não imaginavam que o Velho Continente e o mundo mergulhariam numa das mais graves e duradouras crises do capitalismo. Esta, contudo, não impediu que, mesmo sob as limitações de orçamentos mais apertados, os investimentos alcançassem o equivalente a 30 bilhões de reais e as obras fossem entregues com britânicapontualidade. Para efeito de comparação, os custos de instalações e infraestrutura para a competição de 2016 são de R$ 23,2 bilhões, segundo o site oficial do Comitê Organizador do Rio de Janeiro.

Alguns números relativos aos jogos deste ano desafiam as adversidades fiscais, a estagnação e as dificuldades enfrentadas pelas nações da Zona do Euro: 11 milhões de ingressos emitidos,sendo 75% vendidos no próprio Reino Unido; R$ 1,753 bilhão apenas para a produção das cerimônias de abertura (esta encantou o mundo!) e encerramento; um milhão de equipamentos esportivos, incluindo 26.400 bolas de tênis, 2.700 bolas de futebol, 600 alvos de tiro com arco e 376 pares de luvas de boxe; dois milhões de visitantes; 14 milhões de refeições servidas no Parque Olímpico; a construção deste gerou empregos para 46 mil trabalhadores, e 200 mil pessoas trabalham durante a competição.

Tais estatísticas, em pleno cenário macroeconômico turbulento e preocupante do Velho Continente, mostram que o esporte, como negócio, é análogo à têmpera dos próprios atletas quanto à infinita capacidade de superar metas e obstáculos. Não é sem razão, portanto, que o setor atrai cada vez mais publicidade e investimentos. Por isso mesmo, conforme ficou evidente na exemplar organização dos londrinos, é indispensável a profissionalização de sua gestão, incluindo a formação acadêmica de profissionais competentes, a constituição de todo um acervo deconhecimento e sua aplicação prática nos clubes, seleções, administração dearenas, captação de patrocínios, licenciamento de marcas, comercialização de cotas de TV e negociação dos direitos federativos dos atletas, dentre outras atividades.
  
É importante multiplicar ações capazes de fomentar o setor, como promover congressos, seminários e feiras voltados às áreas de gestão e marketing esportivo, pois as demandas serão imensas no Brasil nos próximos anos, em decorrência da Copa das Confederações, em 2013, Copa do Mundo da FIFA, em 2014, em 12 cidades de nosso país, e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. Também ocorrem um incremento do Campeonato Brasileiro de Futebol, inclusive da série B, a crescente predominância de nossos clubes na conquista de títulos de campeões da Copa Libertadores da América, com sua maior internacionalização, e a diversificação do interesse do público por distintas modalidades, conforme é possível observar nos Jogos Olímpicos de Londres.

Nesse contexto, profissionalismo, competência, conhecimento e experiência são elementos fundamentais. Trata-se de fatores decisivos para que, a exemplo da Pira Olímpica, a chama dos bons negócios ligados ao esporte jamais se apague!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Copa sim, secretaria não

Segue um artigo do presidente da Federasul, Federação das Associações Comerciais do RS, o gaúcho José Paulo Dornelles Cairoli, que é contra a criação de uma secretaria específica para a Copa no estado, posição da qual me associo. Aliás, novas secretarias no estado e no município só são necessárias se houver muita argumentação. O povo deve receber uma prestação de contas e aprovar moralmente estes novos gastos. O estado já gasta demais - o nosso dinheiro. Segue o texto:

-->"A Copa do Mundo significa uma grande oportunidade tanto para o Brasil quanto para o Rio Grande. É um megaespetáculo cheio de glamour, repleto de turistas e um canhão que veicula a imagem do país em todo o mundo. Para que se tenha ideia do impacto potencial desse evento, basta lembrar que na Alemanha, em 2006, a Copa garantiu sozinha uma elevação de 0,6% do seu PIB, gerou mais de 20 mil empregos permanentes e fez circular no país mais de 2 milhões de turistas.

O potencial turístico do Brasil permite projetar um impacto ainda maior. Para a cidade de Porto Alegre, onde os estádios serão construídos com recursos privados, sem envolver gastos públicos como vai acontecer em outros Estados, a Copa, além dos empregos que vai gerar, ampliará a rede hoteleira, movimentará as áreas de lazer e reforçará a possibilidade de superação de gargalos urbanísticos históricos, como a construção do metrô, a revitalização do cais do porto, a duplicação da Rua Voluntários da Pátria e da Avenida Beira-Rio, para escoar o fluxo do trânsito na Terceira Perimetral, entre outras. Uma autêntica revolução urbana na cidade que já motivou, inclusive, a criação de uma secretaria especial do município para cuidar da Copa.

Trata-se de benefícios factíveis com esforços necessários para abrigar um evento deste porte. Mas criar uma secretaria no âmbito do governo estadual é necessário? Digo que não. O próprio governo gaúcho sinalizou que é possível obter conquistas otimizando as estruturas já existentes. Não foi necessário criar novos cargos nem aumentar gastos para obter o empréstimo junto ao Banco Mundial ou a duplicação da GM. Bastou competência, gestão moderna, pessoas certas desempenhando as funções necessárias.

Ouvimos falar que a Secretaria da Copa não criará novos gastos, porque será montada com o deslocamento de estruturas já existentes em outras áreas. Ora, se essas estruturas podem ser deslocadas, é porque são desnecessárias onde estão e poderiam ser enxugadas, diminuindo os gastos públicos que pressionam a volta do déficit.

Não será, por óbvio, a criação da Secretaria Extraordinária da Copa que irá, por si só, levar o Estado de novo a uma situação deficitária. Mas ela é um sinal invertido do governo à sociedade, na medida em que significa, sem necessidade, a criação de mais cargos políticos e mais estruturas meio, num contexto em que é pedido a todos sacrifício para evitar a volta do déficit. Por isso, em vez de criar uma nova secretaria, o governo deveria adotar uma solução mais moderna, como a criação de comitês gestores e câmaras intersetoriais a partir das secretarias já existentes, para garantir os benefícios da Copa para o Rio Grande." (José Paulo Cairoli)